Monday, June 05, 2006

A Vida...
A vida nos prega peças... dá voltas... um monte de coisas dão errado, sai totalmente dos nosso planos... daí a gente pensa... como minha vida é injusta! Eu não mereço isso! Pois é, ser reencarcionista dá trabalho, visto que neste momento nós reencarcionistas pensamos que tudo o que ocorre em nossas vidas é fruto de nossas próprias escolhas anteriores, e que temos que aceitar essas expiações como uma pena emitida pelo Juiz Supremo, e que deve ser cumprida minuciosamente. Daí a gente pensa “quem sabe por bom comportamento minha pena não diminui?". Até diminuiria se a gente realmente apresentasse uma boa conduta, um bom comportamento. Mas, na maioria das vezes, pensamos que estamos tendo esse bom comportamento, mas na verdade estamos nos enganando. Nossos pensamentos na maior parte da nossa vida nutre sentimentos ruins de raiva, rancor, egoísmo, orgulho, inveja, entre outros... Daí o “bom comportamento” vai pras cucuias... e nós precisamos entender e aceitar os percalços de nossas vidas. Confesso que isto é realmente difícil. Mas também faz parte da nossa evolução moral, não só vivenciar as nossas expiações, mas também entender e aceitar que nós precisamos delas, para nos fortalecer e nos purificar nesta nossa longa jornada da vida eterna.

2 comments:

Everton said...
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Everton said...

Mesmo vc não merecendo, estou aqui de novo comentando no seu Blog...rssrsrs!!

Vejo a vida de uma outra forma, que não perpassa pela via que vc aqui expôs, que eu chamaria de "determinismo espiritual". Ou seja minha cara, não vejo a vida como “pagamento” dos erros em vidas pretéritas.
Na quinta-feira passada, eu estava praticamente na beira da Guanabara, de frente pra cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, quando vc me ligou perguntando pelos textos e tal... Quando acabei de falar contigo ao telefone, dois caras vieram falar comigo, dizendo que estavam fazendo uma pesquisa pra uma matéria tal..e perguntaram qual era a minha relação com Deus e com Igreja.
Não vou reproduzir aqui o papo que durou quase uma hora. O que resgataria aqui, no seu espaço, é uma pergunta que ele me faz quase no final: "Por que o mundo está desse jeito?" Eu respondi: " Eu sei que não se responde uma pergunta com uma outra pergunta( essa primeira parte rindo), mas será que Deus acertou em sua criação?" e continuei com outra indagação:" será que este nosso instinto não seja algo previsto na criação, e não um total desvio do calculado pelo Criador?"... Os caras ficaram com um ar pensativo...e eu voltei a falar: "o homem, diferentemente dos demais animais, mata e faz sofrer por prazer...eu diria até que alguns também gostam de sofrer.. mas imaginem os homens totalmente bons? Não teríamos base material para sustentar toda uma população que cresceria de forma assustadora, já que não temos nenhum tipo de predador(es) natural(is)...O crescimento dessa população levaria, inevitavelmente, à lutas pela sobrevivência, assim como os leões ou outro animal ante uma situação de carestia aguda. Fica aqui a minha pergunta, Michelle: erro de projeto ou conformidade com as leis da natureza, por mais triste (ou não) que possa se mostrar? Eu não sei a resposta....

Com relação à questão do bom comportamento, eu de imediato me lembrei de Gilberto Velho. Este autor trata dos "desviantes", ou seja, dos ditos membros das "classes perigosas". Você trata do bom e do mau comportamento, onde, este último, não necessariamente se refere à criminalidade. Seja como for, eu acho que ele foi muito feliz passagem:

"(...) o desviante é um indivíduo que faz uma leitura diferente de um código sociocultural, isto é, ele não está fora de sua cultura, mas faz dela uma leitura divergente daquela dos indivíduos ditos “ajustados”. A possibilidade da existência dessas leituras diferentes ou divergentes é garantida pelo próprio caráter desigual, contraditório e político de todo sistema sociocultural."

Sendo assim, os comportamentos bons ou ruins acabam sendo vistos como tais partindo dos paradigmas forjados na longa duração nas diversas sociedades. Os erros ou acertos, cada vez mais, se mostram como, não só inerente aos seres humanos; eles se mostram como jogos, onde os juizes são inúmeros e totalmente parciais. A vida já esta dentro desse "teatro", onde a peça é um julgamento que é encenada todo dia! Julgamentos estes que, a meu ver, usam chaves interpretativas discutíveis. Até o dado momento não conseguiram me convencer sobre a genuína concepção do Criador. O que vejo é uma vida com diversos "mestres", todos querendo mostrar o que é bom ou ruim.

Ah, falando em julgar, nada é mais bonito do que o pôr-do-sol na Uff...