
"É noite medonha e escura,
Muda como o passamento*
Uma só no firmamento
Trêmula estrela fulgura.
Fala aos ecos da espessura
A chorosa harpa do vento,
E num canto sonolento
Entre as árvores murmura.
Noite que assombra a memória,
Noite que os medos convida,
Erma, triste, merencória.
No entanto...minha alma olvida
Dor que se transforma em glória,
Morte que se rompe em vida".
Machado de Assis, in 'Falenas'
16 comments:
Engraçado, eu não conhecia esse "lado" de Machado de Assis...
Adorei.
Interessante notar que o próprio Machado de Assis julgava seus poemas como de menor importância. Não lhes creditava o devido reconhecimento.
Mas, como todo gênio, até mesmo quando pensa que "erra", o produto obtido ainda é da mais perfeita qualidade.
Adoro os poemas de Machado. Há ainda os sarcásticos, como aquele que o Barão Vermelho musicou (Rock do Cachorro Morto).
E esse aqui é de um primor absoluto.
"Morte que se rompe em vida"
O fim de algo sempre significa o princípio de outro. O ciclo que se completa e dá continuidade. Nunca pára.
Ótima lembrança esse post, Michelle. Parabéns pela sensibilidade.
Não conhecia este poema de Machado de Assis...
Interessante, porque há sempre uma luz entre as sombras...
Obrigada pela partilha e pela visita ao blog...
Beijos e abraços
Marta
Obrigada pela visita amigos. Realmente Machado de Assis é um dos nossos maiores poetas. Todos os gêneros que escreveu, o fez com a máxima qualidade.
Abraços à todos.
Machado sempre Machado! Belo!
bjs meus
Catita
Então que bom que nos descaminhos da blogosfera vc topou comigo!!! Sou apaixonada por Machado de Assis, ele é sempre perfeito!!!
Há sempre algo novo sobre ele a conhecer!!!
A arte realmente, seja a que se pinta, a que se canta ou a que se escreve em prosa e verso, sempre é de arrebentar o coração e iluminar a alma! "Morte que se rompe em vida"
Cheros... e obrigada pela visita e pelo coments!
Nossa lindo menina!!! Obrigada pela visita lá no meu cantinho, vim aqui conhecer o seu. Cheguei e FIQUEI!!! :)
Machado é incrível mesmo!
bjokitas mil pra ti!
Nossa que lindo! Gostei muito.
Obrigada pela visita e pelos comments.
Apareça mais vezes!
O olhar atento percebe um poema desconhecido de um gênio.
Abraço
Oi, Michelle!
Belo poema de M.A. que, confesso, não conhecia. Aliás, Machado de Assis sempre me surpreende!
Quanas vezes precisamos morrer para que sintamos um novo romper de vida, não é mesmo!
Muitíssimo grata pela gentileza da sua visita.
Um beijo,
Inês
Como a solidão é companheira!
No céu, na terra, no ar e no fogo (alma). Nos grandes mestres da poesia também.
Lindo!
Beijos
"Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei num trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso"...Aí vindes outra vez inquietas sombras?!... Trecho de "Dom Casmurro" - Machado de Assis
Falar de Machado? Ah, vá! Não posso, apenas com suas próprias palavras. Nem ouso.
Abraço,
Beijão.
(Obrigado sempre pelas visitas ao Cárcere do Ser)
Amiga,
Venho deixar-te meu abraço e te desejar um lindo fim de semana.
Deus seja contigo.
Beijo lindo
Excelente escolha. Adoro Machado de Assis!
Bjo
Eu gosto tanto da noite...mas não há como negar que o que é ruim fica mais agudo quando anoitece.
Um beijo.
;)
teu blog é ´timo, adorei!
VOU VOLTAR....
OS TEUS TEXTOS SÃO MUITO BONS.
beijinhos querida
Post a Comment