Sunday, July 17, 2011

Rostos na multidão


Todos os dias vejo rostos.
Rostos felizes, tristes, preocupados.
Rostos de indecisos e apressados.
Rostos de aflição.
Rostos de emoção.
Rostos de raiva, cólera e ira.
Rostos de quem faz birra.
Rostos de placidez.
Rostos de embriaguez.
Rostos de luxúria e desejo.
Rostos de agonia e desespero.
Rostos soberbos.
Rostos enfermos.
Rostos pintados.
Rostos marcados.
Rostos conhecidos.
Rostos envelhecidos.
Tantos rostos todos os dias.
Cada um com sua aflição.
Andando no carrossel da vida.
Andando na solidão.
Inclusive o meu,
mergulhado nessa multidão.
Michelle Trindade

Wednesday, July 13, 2011

Luz entre Sombras



"É noite medonha e escura,
Muda como o passamento*
Uma só no firmamento
Trêmula estrela fulgura.

Fala aos ecos da espessura
A chorosa harpa do vento,
E num canto sonolento
Entre as árvores murmura.

Noite que assombra a memória,
Noite que os medos convida,
Erma, triste, merencória.

No entanto...minha alma olvida
Dor que se transforma em glória,
Morte que se rompe em vida".

Machado de Assis, in 'Falenas'

Sunday, July 10, 2011

Fantasmas do Passado


Encontro na solidão meus medos.
Medo dos fantasmas do meu passado,
que estiveram por muito tempo ao meu lado.
Não quero conviver com eles novamente,
quero tirá-los definitivamente da minha mente.
O passado não é para ser revivido,
mas sim para ser lembrado.
Somente isso que quero do passado.
Somente as recordações, alegres e tristes.
Não, não quero meus fantasmas do passado de volta.
A solidão me amedronta,
mas os fantasmas do meu passado me apavoram.
Michelle Trindade

Friday, July 08, 2011

Aproveitando o ensejo...


"Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão"
Chico Buarque

Sunday, July 03, 2011

Estrela Solitária


Hoje à noite olhei para o céu, e percebi que só havia uma estrela. Ela estava lá, linda, bela, mas tinha pouca luz. Não era tão luminosa quanto outras estrela que já havia visto. Mas mesmo assim possuía um certo briho. Contudo, ela estava só. Em meio a um universo de bilhões de estrelas, ela estava sozinha sem ninguém para dividir a sua beleza. Que era simples, mas era única.
Esta noite a lua também estava escondida entre as nuvens. Será que ela não queria compartilhar o céu com a estrela solitária? E por isso se escondeu atrás das nuvens? Ou apenas o que estava atrás das nuvens era mais interessante do que dividir o céu com a estrela solitária?
A noite avança, e percebo que algumas estrelas começam a aparecer no firmamento. Todas muito luminosas e cheias de brilho. Mas todas mantêm uma certa distância da estrela solitária. Nenhuma quer ficar ao seu lado. Nenhuma quer formar uma constelação com ela.
Até mesmo a lua com sua beleza infinita, não quer chegar perto da estrela solitária. Percebo que a lua já tem muitas estrelas a sua volta, talvez não precise de uma estrela desajeitada e com pouca luz ao seu lado.
Aos poucos, noto que a estrela solitária vai perdendo sua luminosidade. Talvez esteja triste demais para tentar emitir o pouco de luz que possui. Ela simplesmente está só. Mergulhada na solidão com uma multidão de estrelas em sua volta. Não tem motivo para tentar brilhar. Acredito que ela só precise que alguma estrela ou a própria lua a ajude a emitir luz novamente, pois caso contrário, penso que ela irá continuar se apagando até não existir mais...
Por Michelle Trindade

Saturday, July 02, 2011

Casinha Branca



Altemar Dutra

Tenho andado tão sozinho ultimamente
Que nem vejo a minha frente
Nada que me dê prazer
Sinto cada vez mais longe a felicidade
Vendo em minha mocidade tanto sonho perecer

Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela para ver o sol nascer

As vezes saio a caminhar pela cidade
A procura de amizades vou seguindo a multidão
Mas eu me retraio olhando em cada rosto
Cada um tem seu mistério seu sofrer, sua ilusão

Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela para ver o sol nascer

Monday, June 20, 2011

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".
Fernando Sabino

Wednesday, June 15, 2011

Orquestra de Mayonara



Naruto

(Tradução)
Cantando a canção da meia noite
"Daquele dia em diante, eu sinceramente..."

Depois do crepúsculo revelar seus tons de vermelho
As estrelas se sentaram no céu e tocaram um cintilante som.

Sem ninguém ter me dito para me abrir mais,
Minhas lágrimas mostravam meus sentimentos, formando um pequeno mar aos meus pés

O céu nao se move, é apenas o sol que vem e vai
A terra não se move, é apenas você que caminha sobre ela

Cantando a canção da meia noite
"Eu realmente odeio ficar sozinho, mais do que tudo"
E daquele dia em diante, eu aprendi da pior maneira, o que era importante

Ah, tudo que eu preciso é cavar a felicidade com uma pequena colher
Fundo o bastante, até encontrar alguém para dividi-la comigo

Friday, June 10, 2011

Nobody Knows



Loser

Another song plays on and on, a cross the radio,
reminding me of days that feels so long ago
when i was young i had no one to play the part of me,
i learned the hard way how to find myself thats why, im here alone.

Its been so long since i´ve been home I lost a part of me
I had to find myself thats why im here alone, nobody knows
Its taking a life time, for me to see, there´s no one to blame
Nobody but me

Nobody knows, nobody knows whats life in front of me
I have to face the world and live my life alone
Nobody knows, nobody knows whats life in front of me
Thats why i find myself alone, nobody knows

When i was young i had no one to play the part of me,
I had to find myself, thats why im here alone
Its been so long since i´ve been home, i lost a part of me
I had to find myself, thats why im here alone, nobody knows
Its taking a life time for me to see, there´s no one to blame,
Nobody but me

Nobody knows, nobody knows whats life in front of me
I have to face the world and live my life alone
Nobody knows, nobody knows whats life in front of me
I have to face the world and live my life alone,
Nobody knows

Another song plays on and on, a cross the radio,
Reminding me, those days are gone

Nobody knows, nobody knows whats life in front of me
I have to face the world and live my life alone
Nobody knows, nobody knows whats life in front of me
I have to face the world and live my life alone,
Nobody knows, nobody knows

Another song plays on and on, a cross the radio,
Reminding me, im still alone..

Tuesday, May 31, 2011

Sensações



Quando a sombra da noite cair,
E eu enfim me despir,
Pensarei em ti,
Beijando-me, amando-me.
Saboreando o mais puro amor.
Sentirei suas mãos deslizando por todo o meu corpo,
Analisando cada curva.
Inebriarei-me com seu perfume,
Exalando do seu corpo quente.
E me deliciarei com seu rosto áspero,
A tocar minhas costas nua,
Sua boca macia,
A beijar minha nuca.
Mas quando chegar aos meus cabelos,
Onde meu rosto aguarda o seu,
Sinto uma lágrima correr pela minha face,
É a solidão que se desmascara.
Na noite escura e triste,
Não sinto suas mãos,
Tampouco seu cheiro.
Encontro-me só.
Mergulhada em pensamentos seus,
Asfixiada pelo calor da sua lembrança,
Afogada nas sensações que você me deixou,
E que eu não consigo esquecer.

Por Michelle Trindade

Sunday, May 29, 2011

Nossos olhos

Apesar de triste, é linda essa história de amor, mostra como nos entregamos de corpo e alma num romance, e como nossos olhos pertencem a uma só pessoa independente do que aconteça....

Friday, April 15, 2011

Charles Chaplin



E homenagem ao 122º aniversário de Charles Chaplin, um artista que gosto muito, segue uma reflexão dele...

"Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz"

Charles Chaplin

Tuesday, March 15, 2011

Amores Inventados



Quero amores inventados,
Beijos roubados,
E romances enlatados.
Quero a sensação fugidia,
De amores eternos,
Que só duram um dia.
Quero a liberdade do momento,
Distantes pensamentos,
Emoções que eu invento.
Quero o sentimento fugaz,
Das paixões e galanteios,
Que a vida leva e traz.
Quero a música que alucina,
A embriaguez que me domina,
A paixão que fascina.
Quero a sensualidade e a loucura,
Desejos e prazer,
n a insensatez que dura.
Quero na vibração do anoitecer,
Sentir,
A exuberância de viver.

Por Michelle Trindade

Saturday, March 12, 2011

Frases


"Se alguém me ofender, procurarei elevar tão alto minha alma para que a ofensa não me chegue."
Charles Dickens

Friday, March 11, 2011

Músicas


Nagareboshi
Katsuhiro
(Tradução)

Quando olho para o céu,
vejo estrelas que me confortam.
Estrelas que parecem multidões de pessoas,
emitindo diversos tipos de luz.
Isso mesmo, e é por isso...
...que quero brilhar ao menos uma vez.
Fecho meus olhos e começo a rezar.
Confio meu sonho àquela estrela cadente.

Nesse parque que venho sempre.
Posso ver o mais belo...
...por do sol.
Esse que sempre foi meu lugar especial.
Sempre que estava mal, vinha pra cá.
E desde então, envolvido por este sonho.
Não sou capaz de me realizar.
Talvez seja o fim.
Essa voz fraca que ressoa...
quando tudo parece dar errado.
Mas então eu me lembro...
...procurando aquela estrela cadente no céu estrelado.
O desejo que fiz quando era garoto,
não mudou com passar do tempo.

Quando olho para o céu,
vejo estrelas que me confortam.
Estrelas que parecem multidões de pessoas,
emitindo diversos tipos de luz.
Isso mesmo, e é por isso...
...que quero brilhar ao menos uma vez.
Yeah.
Fecho meus olhos e começo a rezar.
Confio meu sonho àquela estrela cadente.

Thursday, March 10, 2011

Vou-me Embora pra Pasárgada



Manuel Bandeira


Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei



Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive



E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada



Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar



E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

Wednesday, February 09, 2011

A Noite



Gonçalves Dias

Eu amo a noite solitária e muda,
Quando no vasto céu fitando os olhos,
Além do escuro, que lhe tinge a face,
Alcanço deslumbrado
Milhões de sóis a divagar no espaço,
Como em salas de esplêndido banquete
Mil tochas aromáticas ardendo
Entre nuvens d'incenso!


Eu amo a noite taciturna e queda!
Amo a doce mudez que ela derrama,
E a fresca aragem pelas densas folhas
Do bosque murmurando:
Então, malgrado o véu que envolve a terra,
A vista, do que vela enxerga mundos,
E apesar do silêncio, o ouvido escuta
Notas de etéreas harpas.


Eu amo a noite taciturna e queda!
Então parece que da vida as fontes
Mais fáceis correm, mais sonoras soam,
Mais fundas se abrem;
Então parece que mais pura a brisa
Corre, — que então mais funda e leve a fonte
Mana, — e que os sons então mais doce e triste
Da música se espargem.


O peito aspira sôfrego ar de vida,
Que da terra não é; qual flor noturna,
Que bebe orvalho, ele se embebe e ensopa
Em êxtase de amor:
Mais direitas então, mais puras devem,
Calada a natureza, a terra e os homens,
Subir as orações aos pés do Eterno
Para afagar-lhe o trono!


Assim é que no templo majestoso
Reboa pela nave o som mais alto,
Quando o sacro instrumento quebra a augusta
Mudez do santuário;
Assim é que o incenso mais direito
Se eleva na capela que o resguarda,
E na chave da abóbada topando,
Como um dossel, se espraia.


Eu amo a noite solitária e muda;
Como formosa dona em régios paços,
Trajando ao mesmo tempo luto e galas
Majestosa e sentida;
Se no dó atentais, de que se enluta,
Certo sentis pesar de a ver tão triste;
Se o rosto lhe fitais, sentis deleite
De a ver tão bela e grave!


Considerai porém o nobre aspecto,
E o porte, e o garbo senhoril e altivo,
E as falas poucas, e o olhar sob'rano,
E a fronte levantada:
No silêncio que a veste, adorna e honra,
Conhecendo por fim quanto ela é grande,
Com voz humilde a saudarei rainha,
Curvado e respeitoso.


Eu amo a noite solitária e muda,
Quando, bem como em salas de banquete
Mil tochas aromáticas ardendo,
Giram fúlgidos astros!
Eu amo o leve odor que ela difunde,
E o rorante frescor caindo em pér'las,
E a mágica mudez que tanto fala,
E as sombras transparentes!


Oh! quando sobre a terra ela se estende,
Como em praia arenosa mansa vaga;
Ou quando, como a flor dentre o seu musgo,
A aurora desabrocha;
Mais forte e pura a voz humana soa,
E mais se acorda ao hino harmonioso,
Que a natureza sem cessar repete,
E Deus gostoso escuta.

Sunday, December 26, 2010

Consciência Cósmica



Guimarães Rosa

Já não preciso de rir.
Os dedos longos do medo
largaram minha fronte.
E as vagas do sofrimento me arrastaram
para o centro do remoinho da grande força,
que agora flui, feroz, dentro e fora de mim...

Já não tenho medo de escalar os cimos
onde o ar limpo e fino pesa para fora,
e nem deixar escorrer a força dos meus músculos,
e deitar-me na lama, o pensamento opiado...

Deixo que o inevitável dance, ao meu redor,
a dança das espadas de todos os momentos.
e deveria rir, se me retasse o riso,
das tormentas que poupam as furnas da minha alma,
dos desastres que erraram o alvo do meu corpo...

Tuesday, December 07, 2010

Se eu morresse amanhã



Álvares de Azevedo

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n'alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

Saturday, November 27, 2010

Floresta



Estou perdida nessa floresta,
andando em círculos,
vendo as mesmas paisagens todo o tempo,
trilhando os mesmos caminhos o tempo todo.
Por que não encontro uma estrada?
Tento outros desvios,
mas acabo sempre no mesmo lugar.
Anos se passam,
e eu continuo nessa floresta,
perdida na escuridão da noite,
as árvores são o que me restam,
alguns animais noturnos me fazem companhia.
Será que estão tão perdidos quanto eu?
Amanhece o dia,
o sol aparece,
e eu tenho esperança de encontrar uma estrada.
Uma estrada que me leve para longe dessa floresta.
Caminho, caminho, caminho,
e só o que encontro são mais árvores.
Desespero-me, entristeço,
parece que essa floresta não tem fim.
A noite cai,
minhas esperanças somem,
anos se passam,
E eu ainda estou presa nessa floresta das lamentações.

Por Michelle Trindade